Confira o nº de
 
 
 
Mas então,
o que é
CEFFAs ?
Centros Familiares de Formação por Alternância.
 
 


A União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil - UNEFAB foi criada em 1982, através de um processo de discussão e estudo realizados pelas EFAs - Escolas Famílias Agrícolas, buscando ser uma instituição de representação e assessoria à estas escolas, auxiliando no fortalecimento e divulgação da proposta pedagógica da Alternância.

O movimento das escolas rurais em regime de alternância nasceu em 1935, a partir da iniciativa de três agricultores e de um padre de um pequeno vilarejo da França que prestaram atenção na insatisfação sentida pelos adolescentes, demonstrando atenção para com o meio em que viviam, desejando promovê-lo e desenvolvê-lo.

Fora de estruturas escolares estabelecidas e sem referência a qualquer teoria pedagógica, estas pessoas imaginaram um conceito de formação que permitiria a seus filhos educarem-se, formarem-se e preparem-se para suas futuras profissões. Eles inventaram uma escola onde seus filhos não recusariam freqüenta-la, pois ela respondia às suas necessidades fundamentais, próprias da fase da adolescência: agir, crescer, ser reconhecido, assumir um lugar no mundo dos adultos, adquirir status e papéis. Eles criaram empiricamente uma estrutura de formação que seria da responsabilidade dos pais e das forças sociais locais, conhecimento que se encontra na escola e na vida cotidiana. Inventaram uma nova escola, baseada na Pedagogia da Alternância, onde há partilha e integração do poder educativo entre os atores do meio, os pais e os formadores da escola.

Em 1935 eles eram apenas quatro jovens adolescentes, filhos de pequenos agricultores. No ano seguinte 17 jovens se inscreveram para esta escola. Após dois anos a fórmula chamou atenção nas redondezas e passaram a ser quarenta estudantes. Foi necessário maior organização e os pais se uniram criando uma associação. Fizeram financiamento e compraram uma casa. Eles deram o nome à casa de "A Casa Familiar de Lauzum" (nome da pequena cidade francesa na qual ela foi implantada) e contrataram um formador. Foi assim que nasceu a primeira Casa Familiar, em 1937.




Os nomes variaram conforme foram surgindo unidades com esta filosofia e proposta pedagógica: Maisons Familiares Rurales (MFR), Escola Família Agrícola (EFA), Casas Familiares Rurais.

Nos anos seguintes a fórmula foi divulgada amplamente, mas só após a Segunda Guerra Mundial as escolas em alternância se desenvolveram. Contribuíram significativamente com o desenvolvimento e transformação da agricultura francesa nas décadas de 50 e 60. Estas escolas diferenciadas desenvolviam não só formação, mas também ações de difusão de técnicas agrícolas. Desta forma houve união entre ensino e formação, tornando um movimento, uma dinâmica conjunta. Abriram também espaços para as meninas e a elas eram oferecidos cursos de economia familiar e social.

As escolas sob o regime de alternância se inscreveram no quadro do ensino profissional agrícola com um estatuto de escolas privadas reconhecidas pelo Estado francês. Porém, só em 1960 uma lei os reconheceu como modalidade pedagógica de alternância. A partir dos anos 60 e 70 este modelo pedagógico ultrapassou as fronteiras se estabelecendo com sucesso na Itália, Espanha, Portugal, e depois foi para o Continente Africano, em seguida para a América do Sul e Caribe, depois para o Oceano Índico, na Polinésia - Ásia e por último foi para a América do Norte em Quebec no Canadá. São hoje, aproximadamente, mil escolas no mundo, contribuindo com a formação de jovens e adultos do meio rural.

O sistema pedagógico da alternância, no Brasil, teve seu início no Estado do Espírito Santo, em 1968, através do MEPES - Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo. Contou com apoio da Pastoral da Igreja Católica e das lideranças comunitárias, a partir do Município de Anchieta - ES e sua ligação com a Itália, sob a liderança do Jesuíta italiano, Padre Humberto Pietrogrande.

Após sua consolidação no Espírito Santo, a partir da década de 70, ocorreu rápida expansão para outros 22 Estados brasileiros, contando, atualmente com cerca de 200 EFAs em funcionamento e outras 40 em implantação, beneficiando cerca de 20.000 alunos e 100.000 agricultores, e contando com 850 monitores trabalhando nestas EFAs. Estas escolas já formaram mais de 50.000 jovens dos quais mais de 65% permanecem no meio rural, desenvolvendo seu próprio empreendimento junto às suas famílias ou exercendo vários tipos de profissões e lideranças.

Pensar uma proposta educacional em opção à educação formal foi uma necessidade frente à realidade rural de países como o Brasil. Os fatores que contribuíram para o surgimento da Pedagogia da Alternância, no Brasil, tiveram relação direta com a economia agrícola baseada na produção de subsistência. A falta de conhecimento de técnicas alternativas para preservação ambiental, o rápido processo de desmatamento, o uso do fogo de modo indevido, preparo do solo inadequado, uso intensivo de agrotóxicos, baixo uso de práticas conservacionistas nas áreas de cultivos e predominância da monocultura fizeram com que as famílias rurais ficassem em situação precária, comprometendo o acesso de crianças, adolescentes e jovens à escola formal. A situação se agravou devido à falta de políticas públicas para atender a grande demanda presente no campo. A Pedagogia da Alternância veio, então, possibilitar que a freqüência à escola pudesse ser uma realidade também para quem vive fora dos centros urbanos.

As escolas rurais que passaram a adotar a Pedagogia da Alternância no Brasil, receberam o nome de Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Cada EFA possui uma associação formada de pais, alunos e de outros agricultores da região, que cuidam das questões administrativas, definem o plano e estratégias de ação, contratando professores e buscando alternativas de sustentabilidade. As EFAs são uma tentativa de resposta aos grandes problemas vividos pelo homem do campo, buscando o resgate/construção de sua cidadania e valorização da cultura camponesa, promovendo condições necessárias para intervenção de forma consciente no processo de transformação da realidade, construindo um novo modelo de desenvolvimento rural, dentro dos princípios do desenvolvimento local sustentável (harmonia entre os meios biótico, antrópico e físico).

A alternância educativa permite que jovens alternem períodos de formação no ambiente escolar e períodos de práticas, experiências e pesquisas no ambiente familiar-comunitário, integrando família e escola no processo contínuo de formação. Sendo as EFAS resultado posterior à organização dos agricultores familiares em uma associação, o associativo ganha força e legitima o processo de garantia da educação, sendo um meio facilitador do processo educativo nas áreas rurais.

Com a expansão e aumento do número de EFAs no Brasil, em 1982 foi criada a UNEFAB - União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil. A finalidade da UNEFAB é representar e defender os princípios e objetivos da Pedagogia da Alternância, prestar assessoria pedagógica e administrativa, promover o intercâmbio e divulgação dos trabalhos, acompanhar o processo de formação dos monitores (professores das EFAs) e de seus dirigentes, estabelecer parcerias e outras formas de cooperação técnico-financeira. A UNEFAB é uma Organização Não Governamental - ONG, sem fins lucrativos e possui registro no CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social. Assessora as EFAs - Escolas Famílias Agrícolas, as ECORs - Escolas Comunitárias Rurais e outras instituições que adotam práticas educativas com os mesmos princípios pedagógicos.

Além da UNEFAB, que congrega as EFAs e as ECORs, existe também a Associação Regional das Casas Familiares Rurais - ARCAFAR que reúne as Casas Familiares Rurais - CFRs.


 
     
 
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